Por que nunca sou a certeza de alguém?
Já se sentiu como se estivesse sempre no quase?
Quase suficiente, quase amada, quase escolhida?
Quando ser “quase” já não basta
O motivo pelo qual escrevo hoje é muito pessoal — mas sei que muita gente já se sentiu assim. Quando se é jovem (como eu), temos o desejo quase romântico de viver um amor inesquecível ou encontrar “o amor da nossa vida”. Mas a verdade é que, na prática, isso raramente acontece — e tá tudo bem. Prometo: não é pessimismo. Não quero acabar com a sua ilusão.
Mas é preciso encarar que o termo “ficante” veio, e veio pra ficar. As relações ficaram mais rápidas, mais rasas. A gente demonstra amor (mas nem tanto), é carinhoso (mas nem tanto), se importa (mas nem tanto).
E no meio disso, nasce o temido “quase algo” — aquele espaço confuso entre o estar junto e o não estar. Você quer algo mais. Quer presença, profundidade, compromisso. Mas o outro prefere fugir da responsabilidade afetiva que isso exige.
Tem gente que chega devagar, conquista aos poucos e parece que vai ficar. Outras até ficam por um tempo — mas não o suficiente. E há aquelas que não deixam nada além de incerteza.
E viver nessa dúvida cansa. Ninguém aguenta por muito tempo ser só metade de um plano, só um “ver no que vai dar”.
Com o tempo, o coração cansa. O corpo começa a sentir. E a alma... esgota.
“Algumas pessoas só entendem tarde demais que a vida não oferece duas vezes a mesma pessoa.”
Mesmo assim, tem gente que acredita que pode postergar o amor — como se fosse possível estacionar o sentimento e retomar depois. Como se você estivesse ali, em stand-by, esperando a hora certa.
Mas quando a gente vira dúvida na vida de alguém, é impossível não se perguntar:
Por que nunca sou a certeza de alguém?
O que eu não posso controlar
Demorei muito tempo para entender — e, muitas vezes, ainda “esqueço” — que eu não consigo controlar os sentimentos de outra pessoa. Só consigo controlar a minha reação diante da situação.
Não posso culpar alguém por não sentir o mesmo por mim. Sentimento é algo que vem de dentro. É algo que você simplesmente sente. Não dá pra forçar.
E é aí que mora, talvez, uma das dores mais silenciosas: Você pode ser incrível, amorosa, inteligente, presente — e, ainda assim, não ser suficiente para quem não sabe (ou não quer) te enxergar.
E o que costumamos fazer com essa dor? A gente aceita. Aceita ser só uma ficante, um talvez, pelo simples fato de ainda ter alguma coisa.
Mas o mais importante é saber a hora de parar.
Quem ama, não hesita.
Quem sente, sabe.
Mas vivemos tempos em que o afeto vem com termos e condições — como se amar fosse um contrato que pode ser desfeito a qualquer momento.
O problema é que, quando alguém te coloca na prateleira dos “talvez”, você começa a se perguntar se o erro é seu.
E não é.
“O erro é acreditar que o amor do outro é prova do nosso valor.”
Eu sou a minha certeza
Ser a dúvida de alguém é uma violência silenciosa. Não deixa marcas visíveis, mas corrói aos poucos. E, por mais que doa, também é um aviso: ninguém vai te escolher como certeza enquanto você aceitar ser tratada como dúvida. É difícil entender isso, mas hoje eu reconheço (tento) que a maior certeza que posso ter é sobre mim mesma, e isso é uma luta diária.
Então sempre que se sentir insuficiente ou o quase algo de alguém, repita essas palavras, prometo que elas vão ajudar!
Eu não sou plano B.
Não sou pausa, nem rascunho.
Não sou amor de intervalo, nem o que se procura quando tudo dá errado com outra pessoa.
Não dá pra fazer morada em quem só te visita.
Não dá pra esperar clareza de quem vive na neblina.
Não dá pra continuar se encolhendo para caber no quase de alguém.
Eu escolho sair desse lugar.
Eu escolho parar de implorar por migalhas emocionais.
Eu escolho ser minha própria casa. Meu próprio “sim”.
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